10/08/2004 10:51


Outono! Que arrepio anda por tudo!
- Como um pássaro esguio, e lento,
um vento, muito frio!
Muito frio!...
Outono! Que arrepio pões em tudo!...

Certo, não tarda o dia a esfalecer;
em cada fronte há um sabiá que canta;
na voz dos sabiás quanta tristeza
e quanta tristeza no meu ser!

Pingam folhas...
Outono!
A ramaria mais branda oscila,
a água do mar se amansa,
e a queda das cachoeiras
se amacia...

Chegas, Outono, e que mudança
em tudo, à tua vinda!
- A existência se faz uma lembrança
- o amor se faz uma saudade linda

Em despenhos de plumas frias, tenuíssimas,
estranhas, sinto que no meu ser
agora te avolumas, sinto que lentamente,
a minha vida ganhas...
Outono, e tenho às tuas brumas,
a enorme nostalgia das montanhas

É lenta e suave a tarde, Outono,
em que me vens chegando,
tarde que me lembra uma ave
agoniada, no poente, asas de luz murchando
em seu vôo morrente
Caem folhas, de leve, quando em quando,
na alfofeza da alfombra;
serão folhas, Outono,
ou se estão desplumando
da tarde as asas funerais, de sombra?

Esfolhada...
Esfolhada...
Um a um, lá se vão os sonhos do meu ser,
ó minha vaga percepção do Nada,
ó meu Outono, ó meu pungitivo prazer!
Vivi depressa, estou cansada,
quisera em ti acalmar
para morrer
Esfolhada...
Esfolhada...
Devo, porém, viver para os outros, viver!...

Chega de leve, devagar, não despertes, Outono,
esta criança que dorme deixe-a dormir,
deixe-a sonhar;
a amargura da vida é grande, é enorme,
Outono, dá vontade de chorar!...
Dorme, filha minha, dorme!
Não pertube teu sono
o imenso dissabor do meu precoce Outono

Cantam os sabiás,
lentamente se movem as frondes: sons e folhas
rolam no ar,
cada árvore parece-me uma jovem mãe,
a infância dos frutos a embalar
Cantarão os sabiás nas francas que se movem,
Outono, ou se enche a paz crepuscular
dessa tristeza jovem das árvores que estão
os filhos a embalar?

A tarde espalha de um espasmo a nuança,
e saí de toda a parte, e enche todo o ar
essa infinita voz que não se cansa de cantar,
a cantar num lamurioso entono
de água mansa

Balança a frondeira, a água do mar balança;
a Natureza, Outono, é um berço enorme:
há uma existência nova que descansa
em cada coisa que se acaba,
se destrança...

Dorme, filha minha, dorme!
Seja bendito o sono que te ilude!
Que importa a natureza
se transforme
no Outono,
e se desfolhe a juventude?
Árvores e mulheres
temos destinos altos impolutos
na Terra, são iguais
nossos místeres: é preciso viver
pela vida dos frutos, dorme, filha, descansa

O Outono guarda uma tristeza mansa;
no seu macio e lamurioso entono,
é o embalo do sono de uma criança...
Pingam folhas...
O pranto os olhos meus irrora...
Pela estação que chega, que me vem,
em cada árvore eu vejo uma mulher,
lá fora...
E me suponho uma árvore também
na esfolhada desta hora

me desculpem a demora para atualisar estou uo pouco complicado com o tempo, as coisas comigo estão bem de certa forma, estou vivendo uma esperiência na qual nunca passei e por esse motivo não sei lidar com ela, mas espero que as coisas se arrumem com o tempo, afinal nada melhor que um dia após o outro não é?

um abração para todos, quero dizer que são todos muitissimo importante para mim. ☻☺☻☺☻☺☻☺☻

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enviada por amigão






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